Com o Ciclo de Exposições Documentais e Fotográficas sobre a “Escrita Quotidiana”, pretendemos apresentar, no espaço-galeria do Ciclo Cultural da UTAD, no hall de entrada do Complexo Pedagógico, quatro exposições ancoradas em dois grandes objectivos:
1.º, chamar a atenção de todos para a premência da salvaguarda da Escrita Quotidiana;
2.º, convidar à participação, nas Exposições Documentais e Fotográficas do Ciclo Cultural da UTAD, todos aqueles que desejem expor / mostrar a sua escrita quotidiana ou a dos seus familiares.
A equipa do Ciclo Cultural será a primeira a dar um contributo no sentido da divulgação da sua documentação, mostrando, nas exposições agendadas, a sua escrita quotidiana e a das suas famílias.
Campanha de angariação de documentos
Para levar a cabo as duas finalidades acima apontadas, propomos uma campanha de angariação de documentação.
O que devemos fazer?
Devemos começar por procurar, nas nossas casas, nos nossos locais de trabalho, os documentos que ficaram esquecidos, desprezados, nalgum canto duma gaveta, numa caixa, num simples envelope. Tiremo-los do esquecimento, mostrando-os, interpretando as suas mensagens, acautelando-os para o futuro.
Se quiseres participar com a tua documentação em Exposições Documentais e Fotográficas sobre a “Escrita Quotidiana”, a “Escrita Doméstica”, a “Escrita Escolar”, “Escrita Popular Impressa”, contacta-nos: osantana@utad.pt
Programação do Ciclo Cultural da UTAD
1.ª Exposição “Escrita Quotidiana”
Data: de 2 de Novembro a 16 de Dezembro de 2009.
Local: espaço-galeria do Ciclo Cultural da UTAD, hall de entrada do Complexo Pedagógico da UTAD.
Abertura da Exposição: dia 2 de Novembro de 2009, pelas 16 horas.
2.ª Exposição “Escrita Doméstica”
Data: de 18 de Janeiro a 22 de Fevereiro de 2010
Local: espaço-galeria do Ciclo Cultural da UTAD, hall de entrada do Complexo Pedagógico da UTAD.
3.ª Exposição “Escrita Escolar”
Data: de 8 a 30 de Março de 2010
Local: espaço-galeria do Ciclo Cultural da UTAD, hall de entrada do Complexo Pedagógico da UTAD.
4.ª Exposição “Escrita Popular impressa”
Data: de 3 a 28 de Maio de 2010.
Local: espaço-galeria do Ciclo Cultural da UTAD, hall de entrada do Complexo Pedagógico da UTAD.
Olinda Santana – Coordenadora Ciclo Cultural da UTAD, osantana@utad.pt
14/10/2009
“Escrita Quotidiana”: Apelo à participação
Ciclo de Exposições Documentais e Fotográficas sobre a “Escrita Quotidiana”: Escrita Doméstica; Escrita Escolar; Escrita Popular Impressa
Em busca dos papéis esquecidos…
Todos nós temos papéis que vão amarelecendo em caixas, em gavetas, em envelopes, em cadernos, nalgum local esquecido das nossas casas. Esses escritos que parecem insignificantes são, sobretudo, cartas, postais ilustrados, diários, cadernos de memórias, cadernos escolares, livros de receitas, livros ou cadernos de contabilidade doméstica, livros de família (nascimento, comunhão, casamento), agendas pessoais e/ou profissionais; escritos produzidos em viagens ou em momentos de lazer (diários de viagem, álbuns de fotografia, cancioneiros, crónicas relatos de festas), etc.
São, no fundo, os papéis do dia-a-dia aos quais não costumamos dar valor. Esta documentação acaba, a maior parte das vezes, por ser deitada fora, quando não temos espaço para ela, quando arrumamos as gavetas dos nossos armários, quando mudamos de casa. Num ápice, apagamos parcelas das nossas vidas, pedaços de história. Esses papéis usados guardam os medos, as esperanças, as dúvidas, as alegrias das pessoas banais, perante acontecimentos vivenciados no decurso das suas existências, tais como: as guerras, as migrações, as calamidades, os actos de terrorismo, as doenças, as privações de liberdade, etc. Essas papeladas amarelecidas, avaliadas como inúteis, são fontes históricas que permitem refazer a vida quotidiana de uma pessoa, de uma família ou de um grupo social, preservando momentos cruciais do fazimento quotidiano e histórico dessas entidades num determinado lapso temporal.
Este tipo de documentação foi ignorado, durante muito tempo, pelos arquivistas e pelos historiadores preocupados em construir histórias de “gente importante”, histórias de heróis nacionais, desprezando as escritas comezinhas das pessoas comuns. Até há muito pouco tempo, as escritas quotidianas estiveram votadas ao esquecimento e ao silêncio, simplesmente por se tratar de vozes de pessoas simples, de “gente pouco importante”.
Na maior parte dos países europeus (França, Itália, Espanha, Alemanha), na década de 80 do século XX, foram criados Arquivos de Escrita Popular com a finalidade de recolherem, conservarem e estudarem numa perspectiva multidisciplinar as escritas quotidianas lavradas em papéis “insignificantes”, que, depois de decifrados, tornam possível desvelar uma outra face da história.
E em Portugal, o que se fez?
Onde se encontram as escritas populares, quotidianas da gente comum?
Em que Arquivos é possível encontrar a documentação produzida pelas incontáveis gerações das emigrações portuguesas no mundo?
Onde se encontra uma recolha significativa das correspondências exaradas durante a guerra colonial?
Onde estão custodiadas as escritas escolares das nossas escolas básicas, secundárias e das universidades?
Quais são as instituições portuguesas que possuem arquivos organizados?
Se não forem tomadas medidas urgentes todas as documentações referidas vão desaparecer e apagar páginas de nossa história recente.
O que podemos fazer?
O conhecimento e o gosto pela preservação dos papéis dos nossos pais, tios e avós facultam a criação de pontes de diálogo das gerações mais jovens com as mais idosas. O diálogo dos jovens com as pessoas mais experientes fornece aprendizagens e modelos de vida. Ao conhecerem as vivências dos mais velhos, o seu passado recente, através das suas memórias, dos seus testemunhos, das suas histórias de vida, os mais novos percebem como se chegou ao momento actual.
Se destruirmos os nossos papéis, os dos nossos pais e avós estaremos a votar ao esquecimento fragmentos de realidade, que ainda conhecemos, mas que, dentro de pouco tempo, serão meros vestígios arqueológicos. Pelo contrário, se recolhermos, preservarmos, estudarmos e divulgarmos os escritos quotidianos, estaremos a dar a conhecer um mundo, próximo de nós, habitado por mulheres e homens de carne e osso que sentiram no passado, tudo aquilo que nós sentimos hoje: medos, ansiedades, desejos, ambições, invejas, alegrias, tristezas, etc.
Na actualidade, os escritos quotidianos ajudam os historiadores a contarem, de novo, o passado, mas, desta vez, com base nas histórias vividas pelos protagonistas da história (a gente comum), relatando os testemunhos do dia-a-dia com a experiência vivida e com as imagens arrecadadas na memória de cada um. Uma memória individual é também colectiva e representativa de um grupo social e de uma comunidade, pois, ninguém sobrevive fora de uma estrutura social, sem estar ancorado num espaço físico e sem uma cronologia.
Para que a história do nosso tempo seja contada com rigor, precisamos de guardar, de ceder e de doar a documentação que produzimos a instituições vocacionadas para a investigação e o tratamento dessas escritas (Universidades, Centros de Investigação, Arquivos). Desta forma, poderemos ir compondo corpora documentais de grande valor para o conhecimento do nosso presente que já é o nosso passado.
Que tipo de documentação faz parte da escrita quotidiana? Ou o que guardar?
Os escritos autobiográficos e biográficos da esfera pessoal, tais como: os diários; as memórias; as histórias de vida; as cartas; a poesia; os livros de família; os relatos de viagens; os álbuns de fotografias; os escritos associados à esfera profissional: cadernos de apontamentos variados, agendas profissionais; livros de contabilidade profissional; livros de actas, etc. e, ainda, os documentos produzidos da esfera doméstica: livros de contabilidade doméstica; livros de receitas; recibos vários, registos de impostos, etc., entre outros. Todo este manancial documental molda e perpetua a nossa memória pessoal, familiar e colectiva.
A seguir apresentamos alguns exemplos de escritos quotidianos (caderno de poesia, agenda pessoal, uma poesia avulsa, agendas pessoais e profissionais, convites, missivas).
Todos nós temos papéis que vão amarelecendo em caixas, em gavetas, em envelopes, em cadernos, nalgum local esquecido das nossas casas. Esses escritos que parecem insignificantes são, sobretudo, cartas, postais ilustrados, diários, cadernos de memórias, cadernos escolares, livros de receitas, livros ou cadernos de contabilidade doméstica, livros de família (nascimento, comunhão, casamento), agendas pessoais e/ou profissionais; escritos produzidos em viagens ou em momentos de lazer (diários de viagem, álbuns de fotografia, cancioneiros, crónicas relatos de festas), etc.
São, no fundo, os papéis do dia-a-dia aos quais não costumamos dar valor. Esta documentação acaba, a maior parte das vezes, por ser deitada fora, quando não temos espaço para ela, quando arrumamos as gavetas dos nossos armários, quando mudamos de casa. Num ápice, apagamos parcelas das nossas vidas, pedaços de história. Esses papéis usados guardam os medos, as esperanças, as dúvidas, as alegrias das pessoas banais, perante acontecimentos vivenciados no decurso das suas existências, tais como: as guerras, as migrações, as calamidades, os actos de terrorismo, as doenças, as privações de liberdade, etc. Essas papeladas amarelecidas, avaliadas como inúteis, são fontes históricas que permitem refazer a vida quotidiana de uma pessoa, de uma família ou de um grupo social, preservando momentos cruciais do fazimento quotidiano e histórico dessas entidades num determinado lapso temporal.
Este tipo de documentação foi ignorado, durante muito tempo, pelos arquivistas e pelos historiadores preocupados em construir histórias de “gente importante”, histórias de heróis nacionais, desprezando as escritas comezinhas das pessoas comuns. Até há muito pouco tempo, as escritas quotidianas estiveram votadas ao esquecimento e ao silêncio, simplesmente por se tratar de vozes de pessoas simples, de “gente pouco importante”.
Na maior parte dos países europeus (França, Itália, Espanha, Alemanha), na década de 80 do século XX, foram criados Arquivos de Escrita Popular com a finalidade de recolherem, conservarem e estudarem numa perspectiva multidisciplinar as escritas quotidianas lavradas em papéis “insignificantes”, que, depois de decifrados, tornam possível desvelar uma outra face da história.
E em Portugal, o que se fez?
Onde se encontram as escritas populares, quotidianas da gente comum?
Em que Arquivos é possível encontrar a documentação produzida pelas incontáveis gerações das emigrações portuguesas no mundo?
Onde se encontra uma recolha significativa das correspondências exaradas durante a guerra colonial?
Onde estão custodiadas as escritas escolares das nossas escolas básicas, secundárias e das universidades?
Quais são as instituições portuguesas que possuem arquivos organizados?
Se não forem tomadas medidas urgentes todas as documentações referidas vão desaparecer e apagar páginas de nossa história recente.
O que podemos fazer?
O conhecimento e o gosto pela preservação dos papéis dos nossos pais, tios e avós facultam a criação de pontes de diálogo das gerações mais jovens com as mais idosas. O diálogo dos jovens com as pessoas mais experientes fornece aprendizagens e modelos de vida. Ao conhecerem as vivências dos mais velhos, o seu passado recente, através das suas memórias, dos seus testemunhos, das suas histórias de vida, os mais novos percebem como se chegou ao momento actual.
Se destruirmos os nossos papéis, os dos nossos pais e avós estaremos a votar ao esquecimento fragmentos de realidade, que ainda conhecemos, mas que, dentro de pouco tempo, serão meros vestígios arqueológicos. Pelo contrário, se recolhermos, preservarmos, estudarmos e divulgarmos os escritos quotidianos, estaremos a dar a conhecer um mundo, próximo de nós, habitado por mulheres e homens de carne e osso que sentiram no passado, tudo aquilo que nós sentimos hoje: medos, ansiedades, desejos, ambições, invejas, alegrias, tristezas, etc.
Na actualidade, os escritos quotidianos ajudam os historiadores a contarem, de novo, o passado, mas, desta vez, com base nas histórias vividas pelos protagonistas da história (a gente comum), relatando os testemunhos do dia-a-dia com a experiência vivida e com as imagens arrecadadas na memória de cada um. Uma memória individual é também colectiva e representativa de um grupo social e de uma comunidade, pois, ninguém sobrevive fora de uma estrutura social, sem estar ancorado num espaço físico e sem uma cronologia.
Para que a história do nosso tempo seja contada com rigor, precisamos de guardar, de ceder e de doar a documentação que produzimos a instituições vocacionadas para a investigação e o tratamento dessas escritas (Universidades, Centros de Investigação, Arquivos). Desta forma, poderemos ir compondo corpora documentais de grande valor para o conhecimento do nosso presente que já é o nosso passado.
Que tipo de documentação faz parte da escrita quotidiana? Ou o que guardar?
Os escritos autobiográficos e biográficos da esfera pessoal, tais como: os diários; as memórias; as histórias de vida; as cartas; a poesia; os livros de família; os relatos de viagens; os álbuns de fotografias; os escritos associados à esfera profissional: cadernos de apontamentos variados, agendas profissionais; livros de contabilidade profissional; livros de actas, etc. e, ainda, os documentos produzidos da esfera doméstica: livros de contabilidade doméstica; livros de receitas; recibos vários, registos de impostos, etc., entre outros. Todo este manancial documental molda e perpetua a nossa memória pessoal, familiar e colectiva.
A seguir apresentamos alguns exemplos de escritos quotidianos (caderno de poesia, agenda pessoal, uma poesia avulsa, agendas pessoais e profissionais, convites, missivas).
Poesia de R. T., Bragança 19-12-936 - créditos fotográficos do Arquivo Pessoal de António Mourinho
Caderninho de poesia “Eu me Despeço…” por J. Aldines, pseudónimo de António Mourinho - créditos fotográficos do Arquivo Pessoal de António Mourinho
Convite para assistência a lançamento de livro
Cartão com uma missiva
08/10/2009
06/10/2009
Exposição documental de Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior e António Maria Mourinho
Para ver mais informações sobre a exposição clique aqui.
01/10/2009
“Encontros com África” no Complexo Pedagógico da UTAD
O Departamento de Letras, Artes e Comunicação (DLAC) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) organizou a iniciativa “Encontros com África”, cuja primeira edição incidiu sobre Angola e teve lugar no dia 29 de Setembro, no Complexo Pedagógico desta academia.A iniciativa enquadra-se no âmbito do projecto Espaços e Paisagens Culturais na Ficção Africana de Língua Portuguesa da área da Cultura do Centro de Estudos em Letras/UTAD. Entre os objectivos do projecto está a divulgação e o estudo da cultura e literatura africana em língua portuguesa e o estudo da questão da preservação da cultura oral tradicional nas obras dos escritores e poetas africanos contemporâneos.
No dia 29 de Setembro marcaram presença no encontro os escritores angolanos José Luandino Vieira, Ana Paula Tavares e Ondjaki e dos professores Inocência Mata (FLUL) e Salvato Trigo (UFP), críticos e estudiosos da cultura angolana. Esta iniciativa permitiu aos alunos das licenciaturas, mestrados e doutoramentos do DLAC, assim como à restante comunidade da UTAD e de Vila Real ouvir e contactar com as individualidades.
Também no dia 28 de Setembro, pelas 21h30, teve lugar no Teatro de Vila Real “uma conversa com” os escritores angolanos José Luandino Vieira, Ana Paula Tavares e Ondjaki e o escritor A. M. Pires Cabral. Paralelamente, decorreu na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, de 28 de Setembro a 2 de Outubro uma semana dedicada às crianças do pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico para promover o contacto com outras culturas de língua portuguesa.
A iniciativa contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Direcção Regional de Cultura do Norte, Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, Teatro de Vila Real, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Letras, Artes e Comunicação e Centro de Estudos em Letras.
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